Antropologia nas Mesas do Bar: Rock'n'Roll e Videogames

Explore uma crônica com muita antropologia que mergulha nas mesas de um bar de esquina, onde o rock'n'roll e os videogames se encontram. Descubra como o autor navega entre a erudição e a cultura popular, revelando a vida nos detalhes cotidianos.

CRÔNICASCRÔNICAS DE ESQUINAANTROPOLOGIA DO BANALCULTURA POP E PIXELSO EU ANFÍBIOBOEMIA DE BAR

Krauswzcki

3/7/20263 min ler

Em busca de uma “boemia cheia de prazer, na rotina dos bares, que apesar dos pesares…”; pude me deparar com uma sonoridade interdimensional do Rock’n’Roll: primeiro tocava-se Nirvana, após, começa-se Linkin Park. Um rapaz de boné e roupagens simples inicia-se a comentar sobre a banda e o como era fã da mesma à um amigo do mesmo, destacando o debate intrincado da morte de Chester. Após, abrigam outras sonoridades de outras bandas, como a de Chorão e o rapaz de boné indaga ao jovem barrigudinho que fumava seu cigarro como ele havia morrido; o rapaz barrigudinho logo diz que foi de overdose. Comentam sobre algumas outras bandas das quais não me recordo e por fim o rapaz de boné comenta sobre o quão era fã de Evanescente. Tal ternura pela música e o apreço por um bom gosto musical, despertou-me de certo um regozijo imenso – me via ali entre o desejo áspero de comentar sobre o Rock que tanto aprecio e fazer comentários sobre o Chorão, Alexandre Magno Abrão que tão impactou a vida de minha mãe; até hoje lembro-me dela chorando à morte do astro skatista –, porém, me contive e nada comentei. Apenas observara.

Depois começaram a falar de jogos de videogame. Por mais que hoje eu leve uma vida intensa intelectual e de polímata, equilibrando um tanto com a boemia; minha infância inteira foi moldada por jogos. Eu tinha um vídeogame com mais de cem jogos e zerei alguns ao longo da vida. O dono do bar comentou acerca do CD que estava na mochila do rapaz de boné e perguntou o que era, o moço logo respondeu que era o game Minecraft. Daí começou uma jornada de comentar inúmeros games. Alguns dos quais eu não fazia ideia de quais eram e outros que eu tinha conhecimento, como o GTA. Ele por fim comentou que zerou toda a franquia do Resident Evil. Toda esta alegria em comentar games me despertou uma leve e boa nostalgia, uma vontade incipiente de comentar sobre jogos também – mas já havia muitos anos que eu havia largado esta vida, para seguir em retitude com o conhecimento e a criação intelectual assídua; perguntei-me se havia tornado-me chato e sem graça, e se eu deveria tornar aos poucos à este mundo –, estes que, são tão simples, mas que criam um contraste entre a vida banal e a busca intelectual.

Em última instância, o rapaz barrigudinho estava com um relógio de prata deveras bonito e o moço de boné se atraiu por ele. Eles adentraram num debate enfático acerca do relógio, comentavam sobre inúmeros aspectos dele. Por alguns instantes cheguei a conclusão de que este relógio era o Santo Graal dos frequentadores de bares, a busca última e mais elevada da qual se buscara. Foi como se um simples relógio transforma-se e dilatasse todo o ambiente.

Dei o último gole na cerveja, a coloquei na mesa, observei atônito toda aquela situação e me despedi do dono do bar. Após disso, fui até o rapaz de boné despedir-me, ele me dissera: “Sabe quem tu me lembraste com este chapéu?”, perguntei quem e ele me disse o Michael Jackson, disse à ele que curtira bastante o Michael. Depois perguntou se já zerei Resident Evil e disse que não, mas já joguei. Conversamos sobre GTA V, do qual eu e ele já zeramos, outros jogos e por fim sobre anime. Ele, um aficcionado por Naruto, esta animação que lembrara-me apenas de minha ex-namorada que fez-me assistir os primeiros episódios. Depois falou de Dagoll Bon e ele eu perguntei à ele se já havia assistido Death Note; ele, com entusiasmo, disse-me: “Todo dia!” e navegamos nas ondas deste caderno. Após isto, despedi-me, coloquei meu cigarro na boca e tornei-me à casa.

Com tudo isto, vejo apenas que: a vida nos surpreende nos mínimos detalhes. Encontrar um nerd num barzinho ao fim da noite, foi o prelúdio desta minha boemia cheia de prazer, um caminho sem volta que tornará-me mais anfíbio.

O Relógio Raro e o Rock Inesquecível

Krauswzcki é um polímata, artista multifacetado, escritor, músico e empreendedor. Autor de Quarentena dos Racionais e O Gato do Cão, já compôs mais de 300 composições musicais e tem 18 músicas lançadas, mais de 400 poemas, mais de 11 livros finalizados e muito mais. Ator, dramaturgo e roteirista, também atua na inovação, liderando projetos e empresas, como a iniciativa da Max Creative. Estudante de Psicologia e Física, busca unir arte e conhecimento em sua jornada.

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