Metamorfose: a coragem de ficar só
Um texto-confissão sobre morte simbólica e renascimento: o vazio como passagem, a necessidade de solitude, a fé no humano e a busca de propósito — com reflexões sobre espiritualidade, ego e o poder do Agora.
PROSA POÉTICAAUTOCONHECIMENTOESPIRITUALIDADEREFLEXÕESSAÚDE MENTAL & EMOÇÕESCARTASCARTAS & CONFISSÕES
Krauswzcki
5/5/20264 min ler


Metamorfose (uma carta sobre recomeçar)
Há um período que eu só comecei a entender melhor agora: é uma metamorfose, uma transformação do antigo no novo.
Minha antiga versão morreu – e não há porquê ressuscitá-la. Mas algo novo, que ainda não sei o que será, nascerá: novos sonhos, um novo propósito e uma nova vida.
E eu preciso ficar sozinha por um tempo para me resignificar.
O vazio como passagem
Eu preciso aceitar meu vazio por hora. Passar tempo com alguém só vai piorar a situação – ainda mais com alguém na sua situação.
Não há nada que eu possa fazer por você, nem por ninguém. Só você pode se ajudar. E vitimismo só vai te afundar mais.
Não seja fraco e nem se renda.
Eu tenho que viver por mim e você por você. Não se esforce pelos outros: os outros se importam mais com eles mesmos do que com você.
Você não pode basear sua vida no outro.
Se construa. Se molde. Tente viver por algo a mais. Mas, antes de tudo: se aceite como está e entenda que qualquer estado é possível de ser mudado – basta querer.
Espiritualidade e verdade
O que eu te digo é: se conecte com sua espiritualidade. Ela é a única coisa que vai poder dizer sobre você verdadeiramente.
Eu lembrei da Zélia, da tripulação e de tudo isso… Às vezes acho ser delírio. Eu não escolhi esses contatos, mas sei que tenho.
Achei sem querer um documentário chamado Nova Terra. Parece ser importante.
E eu sei que você precisa de alguém contigo nesse momento – por mais que eu ache que você também precise de um tempo sozinho: para se aceitar, se respeitar e aprender a se amar.
Por isso, quer assistir comigo?
Amor também é saber se afastar
Acima de tudo, eu te amo. E é por te amar que eu prefiro ficar sozinha às vezes.
Porque eu sou humana e tenho meus erros como qualquer outro. E eu me conheço acima de tudo: sei que posso te elevar, mas no momento em que estou, posso te derrubar também.
Porém, tive pequenos lapsos de luz novamente. Eu quero ser melhor. Quero evoluir e voltar a vibrar em propósito.
A maré muda, mas a fé fica
Podemos ter momentos de escuridão, dúvida e incertezas.
Mas uma coisa que eu sempre tive é fé no ser humano – e isso ninguém pode me tirar. Não é um momento nebuloso que vai mudar minha fé.
Os movimentos podem mudar, a maré pode soprar diferente, a dor de cabeça pode aumentar e os sonhos antigos morrerem… para nascerem os novos; para um novo eu emergir.
Mas há algo que só nós podemos saber de nós mesmos. E isso, só você pode encontrar.
Humildade: ninguém é inferior
Há coisas e seres que sabem mais sobre ti do que você mesmo. Somos limitados. Somos pequenos e efêmeros.
Podemos não saber o porquê de estarmos aqui, mas tudo age com um propósito – e o nosso ainda será descoberto. Só que a mudança na humanidade só pode começar através de pequenos atos de cada um de nós.
Não adianta nos cegarmos com algo belo e no fim egóico.
Eu fui tolo ao acreditar que minha inteligência me faz superior aos outros. Fui tolo ao achar que os outros são frágeis ou que eu tenho o direito de maltratar outro ser humano.
Ninguém tem esse direito.
Como diz o Fábio Brazza em A Loucura dos Sábios:
“Não existe ninguém inferior, a não ser aquele ser inferior que acha que existe alguém inferior.”
E como disse para mim certa vez o meu grande amigo Júlio e mestre de vida, numa frase de Bob Marley:
“Não leve a vida tão a sério, no fim das contas ela vai acabar mesmo.”
Ao tocar uma alma humana…
A única coisa que nos cabe é viver da melhor forma possível.
Nós não sabemos exatamente para onde vamos depois disso aqui. Não sabemos o que acontecerá ao certo. Mas eu prefiro descansar sabendo que fui alguém bom – alguém humanamente melhor.
Como dizia Jung:
“Saiba todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”
E eu, inúmeras vezes, por não deixar eu mesma me expressar, por tudo o que a vida me fez passar e pelo buraco que ela me jogou, acabei embrulhando meu coração em muralhas – e ferindo os outros como a vida também me feriu.
Mas a realidade é que: não somos o que a vida faz de nós. Somos o que decidimos fazer de nós mesmos.
O Agora, o simples, o essencial
Não deixe as circunstâncias te abalarem.
Descanse. Ria mais. Desfrute nem que seja do pedaço de uma maçã.
Olhe a janela. Ouça o cantar de um pássaro. Preste atenção na água descendo na garganta ao beber um gole de água.
E viva a única coisa de que temos verdadeira certeza: o Agora.
Você é importante. Tudo tem uma importância.
Apenas acredite e, quando ver, tudo vai se encaixar.
Sem milagres: só encontro
Não espere milagres ou crie expectativas vazias.
Não deposite sua fé num amanhã que talvez nem exista mais.
Creia apenas que você vai se encontrar – e quando de fato encontrar-se, jamais se perderá novamente.
Estudo algum, opinião alguma, frequência de outros alguma, ou qualquer coisa que não venha de ti, poderá te conduzir.
Porque quando a certeza parte de dentro, há apenas uma pessoa que pode olhar esse interior:
você mesmo.


Krauswzcki
Krauswzcki é um polímata, artista multifacetado, escritor, músico e empreendedor. Autor de Quarentena dos Racionais e O Gato do Cão, já compôs mais de 300 composições musicais e tem 18 músicas lançadas, mais de 400 poemas, mais de 11 livros finalizados e muito mais. Ator, dramaturgo e roteirista, também atua na inovação, liderando projetos e empresas, como a iniciativa da Max Creative. Estudante de Psicologia e Física, busca unir arte e conhecimento em sua jornada.
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